Dawison Nascimento · 5 de 5
Em Cartografia para caminhos incertos, somos apresentados a Redenção, uma cidade mágica governada pela Bruxa, onde tudo é diferente, até mesmo o tempo. É lá que vive o nosso protagonista, Mané, um aspirante a poeta que escreve para tentar se sentir menos incompleto. Nesse processo, ele conhece Jeremias, seu primeiro amor. O problema é que o sentimento é de mão única. Em Redenção, beijos de amor verdadeiro atraem borboletas e, como Jeremias não o ama da mesma forma, elas não aparecem — o que o leva a dar um ultimato a Mané. Desesperado para manter o relacionamento, Mané sai em busca de uma árvore cujas folhas supostamente atrairiam os insetos, disfarçando a falta de amor real de Jeremias. A tentativa dá errado e ele acaba perdendo Redenção. É a partir dessa queda que ele passa a enxergar o mundo como realmente é, iniciando sua jornada em busca da própria Redenção e do seu amor. A escrita de Ian Fraser é ligeiramente rebuscada, mas muito fluida. Através de Mané e dos demais personagens, o livro traz diversas reflexões sobre as incertezas da vida, mesclando prosa e poesia. O grande destaque é como o autor transpira baianidade em cada linha, recheando a obra com referências geográficas, culturais, culinárias e linguísticas.