Dawison Nascimento · 5 de 5
Em O Estrangeiro, Albert Camus apresenta Meursault, um protagonista completamente desconectado da realidade. Desde o primeiro parágrafo, já incomoda a incapacidade dele de dar a devida importância ao que acontece ao seu redor. Para Meursault, nada significa muita coisa; tudo "tanto faz". A história é narrada em primeira pessoa, de maneira simples e fluida. Mesmo com essa simplicidade, Camus consegue transmitir perfeitamente a apatia do personagem, causando um desconforto constante no leitor. A trama atinge seu ápice quando Meursault comete um crime sem qualquer explicação lógica, impulsionado (literalmente) pelo calor do momento. O mais chocante é que, mesmo depois disso, sua postura indiferente permanece a mesma. No fim, a obra traz uma reflexão filosófica certeira sobre o absurdo e o vazio da existência, mostrando como a repetição das rotinas pode tornar a vida sufocante e monótona. Um livro feito para incomodar, e que cumpre perfeitamente o seu papel.